Oráculo de Delfos

O que podemos entender sobre “Conhece-te a ti mesmo”?

“Conhece -te a ti mesmo e tudo com moderação” são frases escritas na porta do oráculo de Delfos, templo dedicado a Apolo, símbolo da harmonia e da virtude para a antiga filosofia grega. A autoria das frases é creditada ao filósofo Sócrates (470 a 399 AC). São duas frases que, se seguidas, quase por si só bastariam para que tivéssemos uma vida de equilíbrio.

O que será que Sócrates queria dizer com “Conhece-te a ti mesmo”?  Provavelmente muito mais do que saber onde você mora, o que faz e sua data de nascimento. Podemos pensar que ele quisesse dizer saiba do que gosta, o que sente, conheça suas qualidades e possibilidades, suas limitações e tentações. Saiba o que o repele ou o encanta, saiba sobre suas virtudes e defeitos, conheça seus talentos. Perceba o que te enfurece, o que te fortalece ou enfraquece. Conheça seus desejos ocultos – ou pelo menos os que você alcança. Entenda o que dá alegria e faz pulsar sua vida, aquilo que, de fato, tem importância na sua vida. E muitas outras coisas profundas a seu respeito.

E mesmo depois de muito pensar, quando achássemos que já estivesse concluído o conhecer a si mesmo, teríamos que rever tudo, já que somos dinâmicos e mutáveis. Ou seja, a pegadinha do sábio é que esta é uma tarefa para a vida toda, pra todo o sempre. Conhece-te a ti mesmo pretende, inclusive, que ao fazer isso podemos ser mais generosos e ter mais compaixão com o sofrimento alheio, já que reconheceremos também o nosso sofrimento. Ser mais tolerante, já que reconheceremos também os nossos defeitos e fraquezas. Quem sabe assim, a partir do conhecimento de si, do reconhecimento das mesmas emoções nos outros, podemos nos relacionar melhor e sermos mais inteiros e felizes.

Como se não bastasse, há ainda o “tudo com moderação”. Podemos entender como não comer demais, não beber demais, não trabalhar demais. Mas mesmo as coisas que julgamos nunca ser demais podem nos surpreender com a deficiência gerada pelo excesso: água demais pode o adoecer, amor demais pode virar obsessão. Quanto mais quente melhor, só no filme antigo e engraçado – porque para nós, hoje, representa o aquecimento global.

Moderação também quer dizer não de menos – comer muito pouco, a ponto de não se nutrir, pode levá-lo a carência alimentar e a adoecer. Moderar é a virtude de permanecer na exata medida, e permanecer na exata medida é tanto para mais quanto para menos, é dosar segundo o necessário.

Me lembra um recomendação tolteca – “Dê o seu melhor em cada coisa que faz – cuja explicação conclui que seu melhor não é o máximo, o que estressa e não deixa energia para outras coisas. Seu melhor é aquilo que você faz com alegria e dentro das suas possibilidades.

Pense mais sobre isso. Com certeza para cada um de nós, indivíduos tão particulares, essas verdades terão representações e reflexões bem pessoais.

 

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